quarta-feira, 27 de agosto de 2025

O XODÓ DE MARIA


O XODÓ DE MARIA

 

A menina o conheceu quando ele estava internado,

peludo, encolhidinho, com seu olhar assustado.

E assim foi que sua sorte, felizmente, já mudou,

pois, logo, a doce Maria por ele se apaixonou!

 

Ninguém sabia seu nome, ele não tinha tutor;

com seus miados, pedia um lar que lhe desse amor.

Aquela linda menina tinha um coração bom:

quis levá-lo para a casa e lhe deu o nome Tom.

 

Tom é um gato tranquilo, companheiro da Maria.

Quando eles estão juntos, vê-se pura sintonia.

Ela o embala no colo, ele fica confortável,

dorme num canto da cama esse bichano adorável.

 

Quando ele está na calçada, seu pelo reluz ao sol,

encantando a quem passa, como se fosse um farol.

Essa beleza felina tem pelagem tão sedosa

que uma menina falou: “Olha, é uma raposa!”

 

A mãe dela riu baixinho, explicando com doçura:

“É um gato, minha filha, toda essa belezura!”

Tom não dá nenhum trabalho, só afeto e mansidão,

um bichano muito amado que aquece o coração.

 

Sua família o adora, a vizinhança também —

esse príncipe felino só sabe fazer o bem.

E Maria, a menina, com o Tom vive feliz:

ele é o seu xodó, tudo o que ela sempre quis!

 

O VALENTE GUARDIÃO


O VALENTE GUARDIÃO
 
Chiquinho é cachorro pinscher de fama bem conhecida:
magricela, nervosinho e de voz bastante ardida.
Todos dizem que é chato, invocado até demais,
mas quem conhece já sabe: é só aparência, rapaz!
 
Ele é pequeno no porte, gigante no coração,
tem olhar de sentinela e faro de um furacão.
Ele convive com gatos – sim, com toda a simpatia!
Ronronam no mesmo canto em perfeita harmonia!
 
O seu mundo gira em torno de uma menina, a Aninha,
a quem guarda com coragem e, ao seu lado, caminha.
Se alguém ousa se achegar, mesmo com todo o cuidado,
vai tomar um grande susto com seu potente rosnado!

Inteligente e sensível, a tudo presta atenção,
tem audição apurada e excelente visão!
Ele dá seu maior show quando outros cães aparecem:
não importa o tamanho, todos eles estremecem!
 
Já foi visto espantando um grandão ali na rua,
que correu igual ao vento, quase foi parar na Lua!
É que esse valente pinscher tem a alma de leão:
não se mede um guerreiro só por sua dimensão.
 
A verdade é que o Chiquinho, mesmo com tanta doçura,
defende a casa e a menina com valentia e bravura.
Um anjo de quatro patas que, apesar desse furor,
domina com maestria a linguagem do amor!

CHAMADO DA TERRA

 


CHAMADO DA TERRA

 

Na infância, os pés descalços correndo em chão de poeira

subiam o tronco das árvores, fugiam além da porteira.

Mas veio o brilho das luzes, janelas de arranha-céu

que deixaram para trás seu cavalo e seu chapéu.


Na juventude, o mundo chama: ruas, praças, ambição:

quer-se tudo, quer-se longe, como quem foge do chão.

Mas o tempo, sábio e calado, semeia silêncio e saudade,

e, um dia, em meio ao ruído, desperta a voz da verdade:

 

“Você pertence à terra, ao cheiro do mato molhado,

ao mugido que vem do campo, ao céu vasto, estrelado.”

Então, a alma cansada anseia por menos vitrinas,

por mais raízes e vento, por galos ao som das matinas.

 

Voltar não é retroceder – é se lembrar do que se é:

carne do barro do mundo, poeira, semente e fé.

O ser humano é da terra, não das torres nem do aço:

cedo ou tarde, ela chama, e ali renasce o abraço…


quinta-feira, 31 de outubro de 2024

MEU PRIMEIRO LIVRO BILÍNGUE

 


        
        Aninha é uma menina de oito anos apaixonada por animais domésticos. Sua família já tem dois cães, mas ela e sua irmã Maria têm muita vontade de adotar um gatinho. A mãe delas acredita que os cachorros não saberão conviver com um gato. Será que Aninha vai realizar esse sonho?
            Ilustrado pelas mãos talentosas de Ana França, este livro foi editado no formato bilíngue - português e francês, uma oportunidade de leitura e diversão não apenas aos falantes da Língua Portuguesa, mas também aos falantes e estudantes da Língua Francesa. Adquira já o seu exemplar! Basta pedir pelo WhatsApp 43/99108-6179.




AROMAS DA VIDA




Neste livro, apresento poesias escritas entre 2018 e 2020, entre as quais se destacam alguns textos premiados em Concursos Literários. As poesias foram ilustradas pelas mãos habilidosas de Vívian Saad, que complementou os temas versejados, de modo que o leitor poderá “saborear” cada palavra e, ao mesmo tempo, ser capaz de sentir os melhores aromas da vida!





sexta-feira, 28 de junho de 2024

UM LEITÃO GULOSO E PREGUIÇOSO


Esta é mais uma das divertidas histórias escritas por ANA MARIA MACHADO, uma grande autora brasileira de Literatura Infantojuvenil.

Camilo é um simpático leitão que tem muitas amizades. É um grande comilão, mas não gosta muito de trabalhar; por isso, prefere ganhar tudo o que come.

Preguiçoso e guloso, Camilão tinha o hábito de cada dia, comer na casa de um amigo diferente.

Certo dia, “Camilão saiu de casa com uma cesta vazia. No fundo, só um guardanapo.” Em cada lugar que passava, ele pedia algo para comer. E sempre ganhava, porque todos gostavam dele. E assim, Camilão ganhou uma melancia do cachorro Fiel, duas abóboras do burro Joca, três queijos e quatro litros de leite da vaca Mimosa, cinco espigas de milho da galinha Quiqui, meia dúzia de bananas do macaco Simão, sete potes de mel da abelha Zizi, oito alfaces e nove cenouras do coelho Orelhudo e, por fim, dez avelãs do esquilo, tudo colocado na cesta e coberto pelo guardanapo.

Camilão é preguiçoso e guloso, por isso, podemos pensar que depois de encher a cesta com tantas prendas, ele iria se esconder e comer tudo sozinho, mas esse leitão também é generoso e divide o que tem. Então, ele resolveu “dar uma festa de comilança” e convidou todos os amigos que doaram comida a ele!

E você? Quer participar da festa do Camilão? É só levar algo para comer e se divertir com a bicharada! 



sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

DRUMMOND PARA CRIANÇAS



Considerado um dos maiores escritores brasileiros, o aclamado Poeta CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE também escreveu para crianças.

No livro “História de Dois Amores”, ilustrado por Ziraldo, Drummond relata a improvável amizade que se formou entre um elefante e uma pulga, ou melhor, como ele mesmo coloca, um “pulgo”.

Depois de “se aninhar” numa orelha do elefante Osbó, Pul, o pulgo, acaba viajando pelo deserto africano com destino à residência do Chefe dos Elefantes.

Embora direcionado ao público infantojuvenil, o texto é um pouco longo, mas não cansativo, já que o autor escreve de forma descontraída, como se estivesse conversando com o leitor. Nesse diálogo, ele insere pequenas lições sobre a vida, a Natureza e o comportamento humano, como nas seguintes passagens:

“... o deserto só é deserto para quem não sabe ver...”

“... o pulgo comparava a imensidão do cenário com o aperto das casas dos pobres, onde não entra um raio de sol e tudo parece doente.”

Os elefantes “falavam baixinho, ao contrário de tanta gente que, mesmo não tendo nada de importante para falar, urra como leões, inutilmente.”

“A amizade é uma coisa linda. Nunca se chateia, está sempre descobrindo motivos de satisfação.”

“... quem defende o que é seu cria tutano para combater.”

Todavia, nem só de lições são feitos os livros, especialmente aqueles escritos para crianças e adolescentes. Nesta obra, o leitor também vai encontrar ideias e reflexões bem-humoradas:

“Aí passou um elefante enorme, o que não é novidade, pois toda gente sabe da enormidade dos elefantes.”

“Osbó só não caiu para trás porque elefante não cai nunca desse jeito.”

“Quem vai ao vento perde o assento. Quem sai à toa perde a coroa. Quem vai a esmo perde o torresmo.”

Apesar de seu tamanho minúsculo, o pulgo é megalomaníaco, ou seja, tem mania de grandeza. E o riso está garantido em trechos como:

“O pulgo tinha o mau costume de se achar muito importante, mesmo que estivesse na pele de um bebê. Colocado naquela altura, pode-se imaginar como ficou ainda mais cheio de prosa. [...] E quando percebeu [...] que aquela orelhona era do próprio chefe dos elefantes, aí é que só faltou estourar de vaidade.”

Pul era tão vaidoso que depois de ajudar Osbó a vencer a guerra contra uma manada inimiga, exigiu-lhe que fosse proclamado “Pulgo Rex I e Único”, comandante de todos os pulgos e pulgas do mundo inteiro. O título lhe foi concedido, mas como o Chefe dos Elefantes, por mais que se esforçasse, não conseguiu obter-lhe a subordinação da pulgaria, Pul ficou muito irritado e começou a tratá-lo com grosseria, apesar da amizade que tinham. A partir daí, por causa de sua vaidade e ambição pelo poder, Pul ficou insuportável e começou a zumbir o tempo todo no ouvido de Osbó.

Por conselho do amigo Cacundê, Osbó decide arrumar uma namorada “e ser feliz com ela”, pois eles concluíram que a única solução para o conflito com Pul seria o amor.

Será que o Chefe dos Elefantes vai encontrar uma namorada? Descubra o desfecho desta história lendo essa primorosa obra do nosso querido Drummond!





UMA PRANCHA DE SURFE NO INTERIOR

  Alice e Marina eram amigas inseparáveis e moravam numa cidadezinha do interior. Lá, a terra era tão seca que as nuvens tiravam férias. ...